Por que o ouvido estala em voos e mudanças de pressão e o truque simples para acabar com a dor

Aqui você vai entender por que o ouvido estala em voos e mudanças de pressão, por que às vezes isso vira dor e qual o truque simples que alivia na hora. Vou explicar a anatomia básica e a tuba auditiva, o que ocorre na decolagem e na aterrissagem, e mostrar a manobra de Valsalva passo a passo. Você receberá dicas rápidas para desentupir sem dor, saber sobre o barotrauma, por que crianças têm mais risco e quando procurar um médico.

Ponto-chave

  • A mudança de pressão faz seu ouvido estalar.
  • Engolir, bocejar ou mascar chiclete ajuda a equalizar.
  • Prenda o nariz e sopre suave (manobra de Valsalva) para desentupir.
  • Se sentir dor, pare e não force.
  • Se a dor continuar depois do voo, consulte um médico.

Explicação: por que o ouvido estala em voos e mudanças de pressão

Quando a pressão externa muda rapidamente — por exemplo, durante a decolagem e aterrissagem de um avião — o ouvido pode “estalar” porque existe uma diferença entre a pressão do ar no ouvido médio e a pressão do ambiente. O tímpano é uma membrana flexível que se desloca até que a diferença seja compensada. O estalo é geralmente o som produzido quando o tímpano ou os ossículos da orelha média se reposicionam ao ocorrer a equalização.

A equalização ocorre quando a tuba auditiva (tuba de Eustáquio) se abre momentaneamente e permite que o ar entre ou saia do ouvido médio. Isso acontece naturalmente ao engolir, bocejar ou mascar. Se a tuba não abre por congestão, inflamação ou anatomia, a pressão permanece desequilibrada e pode haver entupimento, estalo ou dor.

Importante: o estalo normalmente indica que a tuba funcionou e a pressão foi equalizada. A dor sinaliza diferença de pressão significativa ou prolongada, causando tensão no tímpano e nas estruturas da orelha média.

Ouvido estala em voo: anatomia simples

  • Orelha externa: pavilhão e canal que terminam no tímpano.
  • Tímpano: separa orelha externa da média; reage a som e pressão.
  • Orelha média: espaço com ar que contém os três ossículos (martelo, bigorna, estribo).
  • Tuba auditiva (Eustáquio): conecta o ouvido médio à nasofaringe e permite equalização; geralmente está fechada e abre ao engolir.
  • Músculos relacionados: tensor e elevador do véu palatino ajudam a abrir a tuba.
  • Orelha interna: cóclea e sistema vestibular, separada da média por janelas membranosas.

A orientação e o diâmetro da tuba, bem como seu revestimento mucoso, determinam a facilidade de equalização. Em crianças, a tuba é mais curta, mais estreita e mais horizontal, facilitando o bloqueio.

Fechamento da tuba auditiva e equalização

A tuba fica normalmente fechada para proteger o ouvido médio. Ela abre brevemente quando engolimos, bocejamos, mascamos ou realizamos manobras específicas. Esse mecanismo é essencial para:

  • manter a pressão do ouvido médio igual à pressão ambiente;
  • evitar formação de líquido e infecções;
  • proteger as estruturas internas de mudanças bruscas de pressão.

Quando a tuba está obstruída, a pressão no ouvido médio não acompanha as mudanças externas, levando a:

  • pressão negativa (descida do avião) — tímpano puxado para dentro, sensação de bloqueio e dor;
  • pressão positiva (subida) — tímpano empurrado para fora, desconforto e estalos.

Causas comuns de obstrução: resfriados, sinusites, alergias, adenoides aumentadas em crianças, anomalias anatômicas e mudanças de altitude rápidas.

Se sentir o ouvido “entupido” e não conseguir equalizar com bocejo ou engolir, a tuba pode estar obstruída. Agir cedo reduz o risco de lesão.

Pressão do ouvido em avião: o que acontece no ar

A cabine é pressurizada, mas mantém o equivalente a uma altitude de ~1.800–2.400 m. Mesmo assim, mudanças de pressão ocorrem na subida e descida:

  • Na decolagem (subida): a pressão externa diminui — pode haver pressão relativa positiva no ouvido médio, empurrando o tímpano para fora; o estalo ocorre quando o ar sai ou a tuba abre.
  • Na aterrissagem (descida): a pressão externa aumenta — o ouvido médio tende a ficar com pressão relativamente menor (negativa) e o tímpano é puxado para dentro até que a tuba abra. A descida costuma causar mais desconforto porque abrir a tuba exige ação muscular (engolir/bocejar).

Fisicamente, a Lei de Boyle explica que quando a pressão externa aumenta, o volume do ar no ouvido médio tende a diminuir se não houver reposição de ar, gerando vácuo relativo e dor.

Dor de ouvido por mudanças de pressão: por que dói

Causas principais da dor:

  • Tensão do tímpano: diferença de pressão estica ou retrai o tímpano, estimulando terminações nervosas.
  • Lesão das estruturas da orelha média: pressão intensa ou prolongada pode levar a acúmulo de fluido, otite média com efusão ou perfuração timpânica.
  • Inflamação: tuba bloqueada facilita retenção de secreção e infecção.
  • Dor referida: tensão na tuba pode causar dor na garganta, face ou dentes.

Sintomas associados: sensação de plenitude, redução transitória da audição, tontura, zumbido. Se não tratada, a condição pode evoluir para barotrauma.

Barotrauma no avião: sinais e riscos

Barotrauma é o dano causado por diferenças de pressão. No voo, o barotrauma de orelha média ocorre quando a tuba não equaliza. Sinais:

  • dor intensa e persistente;
  • perda auditiva temporária ou persistente;
  • zumbido;
  • vertigem;
  • sangramento do ouvido (hemotímpano) ou perfuração do tímpano;
  • infecção secundária por retenção de líquido.

Pontos de risco: infecções respiratórias em curso, alergias ativas, crianças pequenas, disfunção crônica da tuba, mergulhadores. Complicações raras incluem perfuração timpânica, lesão do ouvido interno e infecção crônica.

Para uma descrição clínica mais detalhada sobre causas, sinais e quando procurar avaliação médica, consulte Informações sobre barotrauma e riscos.

Procure atendimento se houver sangue na secreção, perda auditiva que não melhora em 24–48 h, vertigem intensa ou febre.

Manobra de Valsalva — explicada

A manobra de Valsalva aumenta a pressão na nasofaringe ao forçar a expiração com a glote fechada, empurrando ar pela tuba auditiva para equalizar a pressão do ouvido médio. Quando a tuba abre, costuma haver um estalo ou “clic” e alívio.

Mecanismo:

  1. Feche a boca e pinçe o nariz.
  2. Contrair o diafragma e tentar expirar com a glote fechada.
  3. A pressão aumentada pode abrir a tuba e permitir passagem de ar.

Efeitos: alívio rápido da sensação de bloqueio e possível estalo. Riscos: forçar demais pode aumentar a pressão no ouvido interno, causando tontura ou lesão (raro). Contraindicado em infecção ativa com dor intensa, perfuração timpânica conhecida ou certas condições cardiovasculares.

Como fazer a Valsalva passo a passo

  1. Sente-se ereto e relaxe.
  2. Feche a boca.
  3. Aperte o nariz com dedo e polegar.
  4. Inspire (opcional) e tente expirar curta e controladamente, mantendo nariz pinçado e boca fechada.
  5. Pare ao sentir o estalo.
  6. Repita 2–3 vezes com intervalos; não force em excesso.

Dicas: evite soprar com força exagerada; combine com engolir ou bocejar. Se não funcionar em poucas tentativas e a dor persistir, evite repetir.

Quando evitar a Valsalva

  • infecções ativas do ouvido ou garganta;
  • perfuração conhecida do tímpano;
  • cirurgia recente de ouvido;
  • problemas cardiovasculares graves;
  • tontura súbita associada;
  • congestão muito intensa (use alternativas como Toynbee ou descongestionantes sob orientação).

A Valsalva é eficaz na maioria dos casos, mas deve ser feita com moderação. Se a dor aumentar, pare.

Como aliviar dor no ouvido em voo: truque simples

O truque simples e eficaz: combinar engolir constante mascar chiclete realizar manobras suaves de equalização durante a descida. Mascar chiclete aumenta a frequência de deglutição e, junto com engolir, ativa os músculos que abrem a tuba.

Outras medidas rápidas:

  • bocejar e engolir frequentemente;
  • mascar chiclete ou chupar bala durante a descida;
  • tomar goles de água regularmente (para crianças, oferecer mamadeira/chupeta);
  • Manobra de Toynbee: prender o nariz e engolir (em vez de soprar);
  • tampões auriculares especiais (EarPlanes) que retardam a mudança de pressão;
  • descongestionantes nasais (oximetazolina) antes do voo em casos de congestão leve — usar conforme orientação e evitar em crianças sem orientação médica.

Truque prático: antes da descida, comece a mascar e engolir regularmente. Se sentir pressão, faça Toynbee e, se necessário, uma Valsalva suave.

Passos rápidos para desentupir sem dor

  1. Ao iniciar a descida, masque chiclete ou chupe uma bala.
  2. Engula frequentemente; tome água a cada poucos minutos.
  3. Se houver bloqueio, tente Toynbee (prenda o nariz e engula).
  4. Se não aliviar, faça Valsalva suave.
  5. Evite dormir na descida; mantenha deglutições ativas.
  6. Se dor intensa, aplique compressa morna e repita manobras moderadas. Se piorar ou houver sangue/secreção, procure atendimento.

Dicas para prevenção e medicamentos

  • tratar resfriados e alergias antes da viagem;
  • considerar descongestionante oral (ex.: pseudoefedrina) 30–60 min antes do período crítico, verificando contraindicações;
  • spray nasal descongestionante 10–15 min antes da descida (não usar >3 dias seguidos);
  • corticosteroide nasal de uso diário em alergia crônica, se indicado por médico;
  • tampões auriculares com regulação de fluxo (EarPlanes);
  • evitar voar com otite média aguda sem orientação;
  • para disfunção crônica da tuba, avaliar com otorrinolaringologista a indicação de tubos de ventilação.

Atenção: descongestionantes e sprays têm contraindicações. Consulte médico antes de usar, especialmente em crianças, gestantes ou pessoas com hipertensão.

Estalar ouvido ao aterrissar: por que é mais comum

O estalo é mais percebido na aterrissagem porque a pressão externa aumenta e o ouvido médio pode ficar com pressão negativa até que a tuba abra. Abrir a tuba exige ação muscular voluntária; se você estiver dormindo ou congestionado, a equalização pode falhar e causar dor. Por isso recomenda-se começar medidas de equalização antes da descida.

Crianças e resfriados: maior risco de bloqueio

Crianças têm maior risco por motivos anatômicos e imunológicos:

  • tuba auditiva mais curta e horizontal;
  • adenoides grandes podem bloquear a tuba;
  • resfriados mais frequentes;
  • dificuldade em realizar manobras voluntárias.

Medidas práticas para crianças:

  • durante a descida, amamentar ou oferecer mamadeira/chupeta;
  • para crianças maiores, oferecer doces ou bebidas para estimular a deglutição;
  • avaliar histórico de otites com pediatra/otorrinolaringologista;
  • evitar voar com infecção respiratória aguda se possível.

Para bebês, estimular sucção/deglutição durante a descida é a medida mais eficaz.

Quando procurar médico por dor no avião

Procure avaliação imediata ou em curto prazo se ocorrer:

  • dor intensa que não melhora;
  • sangue ou secreção purulenta no ouvido;
  • perda auditiva significativa que persiste >24–48 h;
  • vertigem intensa;
  • febre associada à dor;
  • história de cirurgia de ouvido recente ou perfuração conhecida;
  • episódios repetidos de barotrauma em voos frequentes.

O especialista é o otorrinolaringologista, que pode indicar antibióticos, corticosteroides nasais, tubos de ventilação (timpanostomia) ou orientações sobre técnicas de equalização.

Não force manobras se houver suspeita de perfuração ou dor muito intensa. Buscar atendimento evita perda auditiva permanente.

Conclusão

Você agora sabe que o estalo do ouvido em voos acontece por diferença de pressão entre o ouvido médio e o ambiente, e que a tuba auditiva é a “porta” que precisa abrir. Quando ela funciona, vem o alívio — o estalo que parece mágica. Na prática, o truque simples funciona: mascar chiclete, engolir frequentemente e, se necessário, fazer Valsalva suave ou Toynbee, iniciando as medidas antes da descida. Não force; pare se houver dor. Fique atento ao barotrauma: sangramento, secreção, perda auditiva que não melhora, vertigem ou febre exigem avaliação médica.

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Perguntas frequentes

  • Por que o ouvido estala em voos e mudanças de pressão?
    Porque a pressão muda e a trompa de Eustáquio (tuba auditiva) pode ficar bloqueada; equalizar faz o estalo.
  • Como equalizar quando o ouvido estala em voos e mudanças de pressão?
    Engula, masque ou prenda o nariz e sopre de leve (Valsalva) — a Toynbee (prender o nariz e engolir) também funciona bem.
  • O truque simples ajuda crianças?
    Sim, adapte: bebês com mamadeira/chupeta; crianças maiores com chiclete ou instrução para prender o nariz e soprar/engolir.
  • Posso voar com congestão sem piorar?
    Congestão pode agravar a dor. Se possível, trate a congestão antes do voo e consulte médico sobre uso de descongestionantes.
  • Existe risco de perda auditiva relacionada ao estalo em voos e mudanças de pressão?
    Risco é raro, mas existe se a equalização falhar repetidamente ou ocorrer barotrauma. Procure atendimento se os sintomas persistirem.

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